Do seu pai

Blog, que vai ganhar versão em livro, registra as cartas de um pai para os três filhos pequenos. Uma forma linda de deixar um legado de amor e reconhecimento da própria história

Ana Holanda

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
- | Crédito: Vida Simples Digital
Quando o filho João  nasceu, em 2008, o publicitário recifense Pedro Fonseca decidiu transformar a rotina. Saiu da agência onde trabalhava com campanhas para alimentos e bens de consumo e passou a dedicar seu tempo e talento para algo que deixasse um legado para o primogênito, ou seja, projetos profissionais que fizessem sentido para ele. Junto com isso, começou a escrever cartas ao menino. Mas, com a chegada de Irene, em 2012, Pedro resolveu dar visibilidade às cartas. “Decidi fazer  isso porque assim outros pais poderiam dialogar, trocar suas experiências e se ajudar. Dessa forma comecei a publicá-las no blog Do Seu Pai”, conta. O blog, que hoje está também no Facebook e no Instagram, é de uma delicadeza só. Traz textos em formato de cartas para os atuais três filhos (sim, porque depois veio a caçula Teresa) e imagens encantadoras das crianças. Trabalho lindo que virou, recentemente, livro por meio de financiamento coletivo. E que Pedro dividiu com vida simples.

 Por que registrar a infância dos filhos?

A memória sobre a minha infância é falha. Não tenho álbuns, não tenho precisão sobre datas, acontecimentos, momentos históricos que acompanharam meu crescimento. Depois, vem a questão do legado. Se tem um patrimônio que quero deixar para os meus filhos é o afeto. E as cartas são um registro, um diário de bordo para que, lá na frente, eles possam acessar para se reconhecerem. Hoje eles ainda não participam ativamente disso. João sabe da existência do  Do blog, vez ou outra lê algo, mas não faz parte da rotina dele. E Irene e Teresa ainda não sabem ler. Imagino que à medida que cresçam, passem a escrever comigo, mesmo que indiretamente, mas contribuindo com suas descobertas, seus passos.

Você não se incomoda com a exposição?
Não acho que tem exposição. Tem posição. A gente é tão bombardeado por violência que me parece impossível silenciar quando o meu assunto é a antítese disso, o amor. Então, eticamente, entendo que meu papel como escritor, fotógrafo, é menor que como pai. Esse, sim, pode ajudar a transformar o mundo, porque dentre tantas responsabilidades, tenho três que são as maiores e mais importantes. Ajudar João, Irene e Teresa a serem bons seres humanos.

E toda essa história virou livro, por financiamento coletivo...
Em dez dias, o projeto no Catarse estava viabilizado, com um envolvimento mágico de gente que gosto e admiro. E o livro passou a fazer mais sentido ainda, porque ali percebi que ele não era mais meu. Era daquelas pessoas que liam, discutiam, confrontavam ideias, evoluíam juntas. Ele fica pronto no final de julho, mas não será possível comprá-lo. Vai ser produzido apenas para quem apoiou o financiamento coletivo. Mas não descarto uma segunda edição ou um formato digital no futuro. Acho que pode ser uma maneira de trazer mais gente bacana para essa comunidade.

 O que é, para você, ser pai?
Ser pai é desaprender a ser homem. E reaprender a ser gente.

29/08/2016 - 11:53

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Revista Vida Simples