A natureza do feminino

Ensaio mostra força e dignidade de mulheres que trabalham em pedreira na Chapada Diamantina

Débora Zanelato

A natureza do feminino | <i>Crédito: Vida Simples Digital
A natureza do feminino | Crédito: Vida Simples Digital

 Os trapos  de camiseta que envolvem o rosto das mulheres as protegem do sol e das lascas de pedra que podem cortar o corpo. Escondem o rosto mas também marcam a força das trabalhadoras em Itatim e Iaetê, na Chapada Diamantina, onde o sol é forte e a chuva quase não vem. Elas quebram blocos de pedras gigantes em troca de 55 reais a cada mil paralelepípedos talhados. A cena chamou a atenção do fotógrafo e jornalista Alexandre Augusto, que registrou o cotidiano e a vida dessas mulheres e agora traz sua exposição, Mulheres de Pedra, para a Unibes Cultural, em São Paulo. “O meu primeiro sentimento foi achar aquilo tudo uma exploração. Foi quando uma das senhoras mais velhas da pedreira me disse: ‘Moço, meu pai foi cortador de pedras e eu faço isso desde menina. Foi com a pedra que criei meus filhos e é com a pedra que hoje eles criam meus netos’”, relembra. Alexandre queria mostrar, apesar do trabalho duro e intenso, que as mulheres representam a dignidade, a potência e a delicadeza, a aridez e a beleza. E a força através das mãos. “Senti orgulho principalmente das mulheres mais velhas, mesmo que nem elas tenham a verdadeira noção daquilo que representam”, observa.

Exposição Mulheres de Pedra de 7/11/2017 a 10/3/2018 Unibes Cultural | http://bit.ly/2i4gwBL

06/11/2017 - 12:12

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Revista Vida Simples