Detentos de projeto voluntário criam coleção de roupas em crochê para o SPFW

Alunos usaram fios doados para crochetar itens que formarão looks do desfile do maior evento de moda do país

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Detentos criam coleção de roupas para SPFW | <i>Crédito: Danilo Sorrino/Divulgação/Circulo SA
Detentos criam coleção de roupas para SPFW | Crédito: Danilo Sorrino/Divulgação/Circulo SA

Há dois anos e meio, o designer e artesão Gustavo Silvestre, embaixador da marca Círculo S/A, especialista em crochê criativo experimental e moda sustentável, ensina detentos da Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos (SP). Desde então, mais de 100 alunos aprenderam técnicas desta arte manual, por meio do projeto Ponto Firme. São duas aulas semanais, nas quais essas pessoas se reúnempara crochetar artigos para decoração, vestuário ou aproveitam para deixar a imaginação fluir e criar suas próprias artes. Um dos resultados deste projeto vai ser exposto em um desfile programado para o dia 21 de abril, no São Paulo Fashion Week. Serão mais de 30 peças diferentes, todas em crochê e elaboradas pelos alunos do projeto. Esse material ficará, depois, exposto no Museu da Resistência, dentro da Estação Pinacoteca, em São Paulo. A saber, a foto que usamos aqui foi feita dentro da penitenciária, em um dia que vai deixar boas recordações para todos. . “Entre as mudanças observadas no comportamento de quem está envolvido com esta iniciativa desde o início, está a socialização, uma vez que incentiva a convivência com os demais encarcerados, a quebra de preconceito, responsabilidade, empreendedorismo e até autoestima”, avalia o diretor técnico do Centro de Trabalho e Educação da penitenciária, Valdinei Freitas. Para Gustavo Silvestre, "o Ponto Firme tenta incentivar o potencial humano e criativo de cada detento e, através das técnicas manuais, levantar questões de um ponto de vista mais humanista no sistema penitenciário do nosso país. É importante ressaltar que nenhuma iniciativa funciona de maneira isolada. O contexto atual de violência só pode mudar com um conjunto de fatores. A arte é um deles”.

O Ponto Firme é um projeto filantrópico e social iniciou a partir de uma conversa com Lica Isak, responsável pela escola de técnicas manuais e loja Novelaria, que sugeriu a possibilidade de levar as aulas de crochê para sentenciados da Penitenciária Adriano Marrey. O Ponto Firme também se tornou possível por conta da parceria do juiz Jaime Junior e o diretor técnico do Centro de Trabalho e Educação da penitenciária, Valdinei Freitas. “O Projeto Ponto Firme beneficia cada integrante, aflorando a sua arte, sua profissionalização, se tornando uma nova alternativa de renda e uma perspectiva de vida nova quando o sentenciado estiver em liberdade. A cada 12 horas no projeto, o encarcerado se beneficia com a remição de um dia”, comenta Valdinei Freitas.

 

 

18/04/2018 - 09:54

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Revista Vida Simples