Fábrica faz papel a partir de cana-de-açúcar

São Paulo ganha a primeira fábrica no mundo a fazer papel com a palha da cana

Letícia Gerola

Tem capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano | <i>Crédito: iStock
Tem capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano | Crédito: iStock

O Estado de São Paulo foi o escolhido para sediar a primeira fábrica de papel produzido a partir da palha da cana-de-açúcar, a revolucionária FibraResist, na cidade de Lençóis Paulistas.  Resultado de seis anos de estudos, a tecnologia pioneira no mundo transforma a matéria-prima, abundante em território paulista, em pasta mecânica celulósica 100% sustentável para fabricação de papeis e embalagens. “Aqui se incorporam novos conceitos de sustentabilidade pelo uso que se fará da palha da cana, dando a possibilidade de uma nova fonte de produção de celulose”, apontou Arnaldo Jardim, secretário do Governo do Estado de São Paulo.
            A empresa tem capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano. A escolha de Lençóis Paulista como sede se deu pela grande quantidade de matéria-prima na região, que tem forte atividade canavieira. Com a inovação, a palha da cana-de açúcar não fica no canavial – evitando pragas e prejuízos -, e se torna mais uma fonte de renda aos canavicultores.

Como funciona

O biodispersante separa a lignina (molécula que dá rigidez às células das plantas) das fibras existentes na palha. Foi criado pela própria empresa e elimina a necessidade de calor. O processo envolve um circuito fechado que evita perdas e desperdício de água, e o pouco resíduo gerado na produção pode ser reutilizado como adubo no campo, entre outras finalidades. A pasta foi avaliada e classificada pela Universidade Federal de Viçosa (MG).
A pasta é livre de impurezas e não oferece perdas de matéria-prima em relação a outros processos já existentes no mercado. Não há custo do descarte do resíduo proveniente da reciclagem. “O uso da pasta mecânica celulósica vai muito além do apelo da sustentabilidade. Ele traz mais produtividade e rentabilidade à indústria de papel e embalagem”, afirmou José Sivaldo de Souza, da FibraResist.

 

16/02/2017 - 11:47

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Revista Vida Simples