Flamenco: a dança do empoderamento

Quando nos colocamos em movimento, despertamos a consciência para as nossas capacidades e ganhamos a incrível sensação de dizer "eu posso"

Rosane Queiroz

Dança traz a força do feminino e ensina determinação | <i>Crédito: Ignacio Aronovich
Dança traz a força do feminino e ensina determinação | Crédito: Ignacio Aronovich

Quando se fala em "empoderamento", a tendência é relacionar poder com autoridade ou superioridade. Mas o poder implícito nessa palavra, tão em moda ultimamente, nada tem a ver com se sentir melhor do que os outros ou querer impor vontades. Tem a ver com o apropriamento do poder pessoal –com o despertar da consciência (principalmente das mulheres) para suas capacidades. Tem a ver com auto-conhecimento, auto-estima, e com a maravilhosa sensação de sentir e dizer: "Eu posso".

 

Identificada com a cultura gitana, a dança flamenca surgiu da mistura de várias culturas que passaram pela Andaluzia e ali deixaram suas marcas, como árabes, judeus e os próprios ciganos. Como nômades, os ciganos não tinham um lugar fixo. Assim, o sapateado flamenco era uma maneira de "enraizar", de fincar os pés no chão. "É uma dança desafiadora porque exige muita coordenação, consciência corporal e conexão com os sentimentos, para sentir e entrar no ritmo", diz a maestra de flamenco Vera Alejandra, fundadora e diretora da escola Cuadra Flamenca, em São Paulo. Ou seja, não adianta simplesmente decorar os passos, é preciso incorporar a postura flamenca, "esse tal empoderamento", de certa forma, ancestral.

 

A força do flamenco é tanta, que que existe um projeto chamado "Autoestima Flamenca", realizado pela Junta da Andaluzia, órgão governamental espanhol, que desde 2008 trabalha com mulheres vítimas de maus tratos, refugiadas e crianças órfãs, no resgate da auto-estima por meio dessa arte. O programa da instituição espanhola comprova (por meio de resultados, números e prêmios obtidos) que o flamenco é eficaz no resgate da confiança, da feminilidade, do amor próprio dessas mulheres.

 

Conheça, a seguir, 5 razões pelas quais o flamenco é a dança do empoderamento:

 

 

1. Flamenco deixa a postura linda
Ombros no lugar, barriga para dentro, mãos na cintura e cabeça erguida. Tem postura mais empoderada do que essa? As aulas de flamenco trabalham a musculatura de pernas e braços, alongando todo o corpo, levando a uma postura luminosa. A maestra Vera Alejandra não hesita em afirmar: "Todas as mulheres flamencas são belas". Belas, aqui, não apenas no sentido físico ou mercadológico. Mas pela descoberta de si mesmas, de suas potencialidades, de sua verdade.

 

2. Flamenco ensina determinação
Nada como bater os pés para (re) aprender a insistir no que se quer. Ainda mais com os sapatos de flamenco, aqueles que possuem o tacón (salto) apropriado para marcar o ritmo. "Fuerza no tacón!", diz uma expressão flamenca, soando como um conselho para não desistir. Pensando pelo lado da saúde, o flamenco ainda previne osteoporose. "Bater as pernas e os pés fortalece os ossos", afirma Vera Alejandra.

 

3. Flamenco trabalha o foco
Claro que é possível adquirir consciência corporal e equilíbrio em diversos tipos de dança. Mas o flamenco vai mais longe. Por ser intimamente ligado a sua cultura, convida a olhar para dentro, se descobrir e se concentrar em cada mínimo movimento. Não tem como treinar os passos sem se desligar de tudo o que está em volta. É preciso prestar atenção e sentir o ritmo. É preciso acionar e assumir a sua força –física e emocional. Isso vai além da técnica, e se traduz em foco, não apenas na dança, mas na vida como um todo. Isso sem falar do foco do olhar, que toda dança bem feita exige.

 

4. Flamenco é dança de diva
Há quem diga que o flamenco é uma dança mais de palco do que de "sair para dançar". De fato. Exceto por alguns palos (nome que se dá a cada cante), como as sevillanas, dançadas aos pares, trata-se de um baile mais solo. Por isso mesmo leva ao apropriamento da coragem e da força pessoal. É preciso se sentir empoderada para subir no tablado e dar conta desse baile!

 

5. Flamenco é tudo ou nada
Não existe meio termo nessa dança. Cada movimento exige precisão. O que se busca é a base, o chão. Flamenco é alma, fogo e coração. O lado passional da cultura cigana se revela em uma dança mágica, telúrica, capaz de seduzir em cada movimento. "O gesto flamenco é definitivo! Não se pode ser mais ou menos flamenca. Ou você é, ou não é", desafiaVera Alejandra.

 

A Cuadra Flamenca é um espaço genuíno de flamenco, no coração do bairro de Pinheiros, em São Paulo, com aulas regulares e tablados mensais.

O próximo tabalhado será dia 27 de maio, sábado, às 20h, na Cuadra Flamenca. 

Agende uma aula experimental: www.cuadraflamenca.art.br

 

19/05/2017 - 20:30

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