Intercâmbio cultural traz Índios do Xingu

No mês do índio, programa traz 50 nativos da Nação Kuikuro, que integra o Parque do Xingu, para um dia inteiro de atividades

Letícia Gerola

No espaço, as peças de artesanato feitas pelos índios são vendidas em valores que vão de R$ 20,00 a R$ 1000,00 | <i>Crédito: Divulgação
No espaço, as peças de artesanato feitas pelos índios são vendidas em valores que vão de R$ 20,00 a R$ 1000,00 | Crédito: Divulgação
De 2 de abril a 21 de maio, a Toca da Raposa promove o Programa de Intercâmbio Cultural com 50 indígenas da Nação Kuikuro - umas das 16 etnias que integram o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Crianças e adultos podem se aproximar dos hábitos de índios que mostram seus costumes por meio de apresentações de cantos, danças, rituais, alimentação, pinturas e artesanato. O programa acontece anualmente, desde 1995, no espaço Toca da Raposa, um parque que possui uma das coberturas florestais de maior biodiversidade do planeta e integra o Cinturão Verde, que circunda a capital de São Paulo.
  O programa tem por objetivo promover o intercâmbio cultural entre os indígenas e o homem da cidade, além de contribuir com a geração de renda para a sustentabilidade da tribo Kuikuro. "O programa preserva e difunde a riqueza cultural dos índios, conscientiza as futuras gerações sobre a importância da manutenção da identidade brasileira e mostra a diversidade entre as culturas e a importância do respeito ao índio e as suas origens", explica a educadora Regina Fonseca.
  No espaço, as peças de artesanato feitas pelos índios são vendidas em valores que vão de R$ 20,00 a R$ 1000,00. Itens como colares de caramujo, redes de buriti, esteiras, bancos, cerâmicas, brinquedos e outros estarão em um galpão preparado pelos próprios indígenas.

Roteiro:
Pintura — Todas as pinturas representam elementos da natureza. Cada índio escolhe um animal como referência para usar como grafismo em sua pintura corporal. A pintura é usada em dias de festa como uma vestimenta e como uma forma de agradecimento aos espíritos da natureza. Em festas que duram mais de um dia eles usam o jenipapo (coloração preta) que dura em média 7 dias, assim não é necessário refazer a pintura todos os dias. A repórter poderá ser pintada por um indígena e conversar sobre as cores principais usadas na aldeia: o branco que vem de uma argila o vermelho que vem do urucum e o preto que vem do jenipapo.

Culinária — A base da alimentação dos índios Kuikuro é o peixe e o beiju feito de mandioca brava; diferente da nossa mandioca encontrada no mercado ela possui um forte sumo toxico para o nosso organismo que consumido em grande quantidade pode até matar. Por isso, existe um processo criado por eles para que a mandioca fique própria para o consumo. No dia, as índias poderão ensinar todo esse processo até o final, quando eles fazem grandes discos de beiju parecido com a nossa tapioca. Nesse dia também terá peixe temperado com uma sal tirado de uma folha específica da região do Xingu.

Danças e Rituais — Tudo no mundo dos Kuikuros gira em torno das danças e dos rituais, nesse momento é onde eles agradecem tudo que acontece na vida deles... Desde ritual de passagem a danças para agradecer os alimentos. É o momento onde as outras tribos se reúnem para festejar ou para chorar alguém que se foi. É o momento em que tudo para e todos se enfeitam e cantam para agradecer as coisas do mundo deles. A repórter poderá presenciar a dança do macaco, ritual do kuarup... e participar com eles também.

Uka Uka — Uka Uka é o esporte preferido dos jovens nas aldeias. Trata-se de uma luta parecido com o jiu-jitsu. Os lutadores treinam pesado desde criança na sua aldeia e sempre em grandes festas, onde as aldeias se encontram, um grupo de representante da cada etnia desafia uns aos outros. O ganhador é reconhecido e respeitado por todos no Xingu pode até ser um dia um grande. No dia na Toca da Raposa eles explicam as regras e apresentam a luta. As mulheres também praticam esse esporte. O repórter será desafiado, claro que eles entendem como uma brincadeira quando lutam fora da aldeia!

Artesanato — Os índios tem uma habilidade incrível para manusear cerâmica, madeira, sementes, folhas.. a partir deste material eles criam adornos, cocares, braçadeiras, colares, cintos, e brincos para usar em festas e rituais. E utensílios, arco e flecha, panela, bancos, esteiras, cestos, para usar no dia a dia na Aldeia. Seu artesanato é rico em detalhes imitando a perfeição da natureza. Cada peça é única e tem um valor inestimado. Todas as peças são pintadas e enfeitadas com grafismos dos animais e da mata. Se uma peça não é finalizada com detalhe e pintura ela não tem valor nenhum. Durante o período de abril e maio os indígenas montam na Toca da Raposa uma loja com todo a seu artesanato. No dia da entrevista, o índio que tem habilidade para fazer os utensílios pode explicar um pouco mais sobre algumas peças especiais como o colar de caramujo que é muito valioso para eles — tão valioso quanto o ouro para a gente — e o cinto de onça que só o Cacique e o lutador de Uka Uka pode usar.


Toca da Raposa Centro de Lazer e Cultura
Endereço: Rodovia Régis Bittencourt, Km 323 - Bairro das Senhorinhas - Juquitiba/SP (a 60 Km da Capital)
Telefones - 11-3813-8773 - 11-4681-2854

19/04/2017 - 20:15

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