O Livro da Vida

Artista russa utiliza exemplares antigos como telas para falar sobre a trajetória humana e as histórias que carregamos em nós

Débora Zanelato

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Um livro usado  pode representar a nossa própria existência no mundo: o colecionar de histórias, as páginas dobradas, as anotações à caneta para marcar o que foi mais importante. As folhas que mudaram de cor ao longo do tempo. Ekaterina Panikanova, artista russa radicada na Itália, garimpa nos mercados de pulgas a matéria-prima para criar sua arte. “Os livros que eu uso geralmente vêm de diferentes países. Assim, as minhas histórias contadas sobre a humanidade podem ser reconhecidas como verdadeiras para todos nós, independentemente do país ou cultura”, observa. Para compor seu trabalho, Ekaterina costuma ler as obras, depois monta um minucioso quebra-cabeça com os títulos e, a partir daí, cria desenhos que buscam traduzir um pouco de nós mesmos. “Falo também sobre a memória e o desenvolvimento do lado psicológico individual”, diz. A artista transforma elementos cotidianos em metáforas da nossa existência: os chifres representando o instinto animal, a torta como um símbolo das tradições e as regras do lar, o fogo como a nossa capacidade de se transformar sempre. Cada livro é como uma parte valiosa do todo, carregando, como nós, suas próprias particularidades. 


10/07/2017 - 11:26

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Revista Vida Simples