O que a maternidade me trouxe

Gerar uma vida tem sido um momento de profundas descobertas, e tem me colocado mais perto do que é esse poder da criação

Débora Zanelato

A maternidade pode despertar em nós para uma potencialidade que a gente desconhecia | <i>Crédito: Frankie e Marília
A maternidade pode despertar em nós para uma potencialidade que a gente desconhecia | Crédito: Frankie e Marília

Nessa jornada de tornar-me mãe, talvez eu ainda não faça ideia de tudo o que vamos passar juntos, de todos os momentos mágicos e também desafiadores que teremos para sempre. Meu filhote chega no mês que vem, e desde que comecei a carregá-lo na barriga, passei a sentir como a criação é mesmo mágica, poderosa. Como o universo se organiza em nossas células e corpos e como somos um portal para que outra vida chegue aqui na terra, viva suas experiências, ame, sonhe, se encante com os passarinhos, com as flores, com os animais.

Isso acontece desde o começo da humanidade, sim, mas não pode ser banal; cada vida é mesmo um universo novo que se apresenta por aqui. Ser esse portal também me traz muita força. Uma força que pede que eu olhe para mim como essa potência que é o feminino, essa potência que é a criação, que é ser capaz de gerar, cuidar e amar. Uma força que me pede para que eu também seja mais generosa e menos dura comigo, mais compreensiva com meus sentimentos e menos rígida com meus erros.
É preciso se olhar, profundamente, para criar outro ser mais consciente.

Durante esse gestar, descobri mais sobre mim, sobre o que eu sou capaz de fazer, sobre como há tanto guardado dentro da gente esperando para despertar. Nossa luz e nossa sombra. Meu filho me desperta para essa força, essa coragem, e acho que todas as mães ganham isso quando a maternidade chega. Elas percebem que tem muito menos tempo, mas se impressionam com tudo o que foram capazes de fazer, ainda que com tantos desafios.

Acho que o mundo ainda não é tão doce com as mães. Que ainda julga, que monitora, que crucifica. Que não ampara. Que não suporta suas escolhas. Que torna a maternidade pesada e injusta. Mas também acho que esse mundo está mudando. Estamos criando mais laços de sonoridade, de cuidado, de ajuda. Ser mãe pode ser uma jornada linda mas também pode ser árdua demais sem amparo. Por isso, maternar não é só maternar nossos filhos, mas levar esse cuidado de amor para o mundo.

Meu desejo para mim como mãe quando meu Ben passar a respirar aqui fora é que eu possa olhar para o mundo com mais encantamento; com olhares de descoberta, de novidade, junto com os olhinhos curiosos e cheios de vontade que ele vai carregar. Desejo que eu possa cuidar e também ser cuidada, que eu me conecte com os desafios da maternidade fazendo com que mudanças também aconteçam para que as nossas vidas se tornem mais leves.  Agora, enquanto a minha barriga cresce e eu vejo meu filho através dos movimentos que ele faz, eu desejo ser sua boa casa. Seu lar. Seu lugar preferido. E desejo que essa casa que eu sou possa viver toda a alegria de estar viva, de ter tanta vida junto, de ser dois e de também ser um. 
 

13/05/2018 - 12:47

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Revista Vida Simples