Para acolher os refugiados

Mãe vende arranjos de flores para custear trabalho voluntário de brasileira na crise dos refugiados

Débora Zanelato

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
- | Crédito: Vida Simples Digital
 DEPOIS DE 45 DIAS em Lesbos, na Grécia, trabalhando no recebimento de barcos com refugiados, Gabriela Shapazian, aos 16 anos, sentiu que sua missão seria seguir sendo voluntária para ajudar mais gente. A mãe, Kety, decidiu que iria apoiar a filha. “Eu ganhei um arranjo de flores em um chá de bebê que organizamos para um casal sírio em São Paulo e na hora pensei: ‘Vou vender flor no farol e dar o dinheiro para a Gabi, que precisa de 40 euros por dia para se manter’”, conta. “Passei vergonha, recebi esmola e fui ignorada pela maioria dos motoristas. Mas era o começo de uma história que mudou a nossa vida”, diz Kety. Elas criaram o Flores para os Refugiados, que vende arranjos para pessoas que acreditam no trabalho de Gabi e, assim, colaboram com o sonho da garota em acolher, dar carinho e atenção a quem teve de deixar sua casa. “Queremos falar que, se um dia você achar que um bote inflável superlotado é mais seguro que a terra, você vai querer que no meio do caminho tenha alguém que lhe estenda a mão”, conta a mãe de Gabi, que se sente orgulhosa da filha e sabe que, a partir de agora, elas podem se ver duas ou três vezes no ano apenas. Hoje a garota atua como voluntária independente na Gré- cia e no Líbano. “Também quero falar que existe uma alternativa à faculdade, e que o jovem pode ser feliz fazendo o que ama. Ele não precisa se matar para passar no vestibular se já tiver encontrado um propósito na vida. Minha filha encontrou o dela. Hoje, aos 17 anos, está livre para seguir o seu chamado”, diz a mãe. “Ela sempre fala que hoje é muito mais feliz com menos porque aprendeu a dar muito valor a pequenas coisas. E eu também.”

 FLORES PARA OS REFUGIADOS facebook.com/floresparaosrefugiados

14/09/2017 - 15:10

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Revista Vida Simples