Síndrome de Down: O que aprendi com meu filho

Mateus me ensinou sobre diversidade e transformou o meu olhar para o outro e para a vida

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Katia e o filho Mateus, 13 anos | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Katia e o filho Mateus, 13 anos | Crédito: Arquivo Pessoal

Sou mãe do Mateus há quase 13 anos e descobri que ele tinha Síndrome de Down aos nove meses de vida. Não tive nenhum sentimento de preocupação ou dor, eu simplesmente já amava aquele ser, meu filho.

Não fiquei refém de nenhum "especialista" , e desde então ele foi acompanhado por uma homeopata unicista.  Fui atrás das informações necessárias e como 50% das crianças que nascem com síndrome de Down apresentam cardiopatia, fomos fazer o exame pra investigar. Mateus não tinha nada, mas não foi uma sensação de "ufa, ele não tem", porque mesmo se tivesse iríamos celebrar. A vida é um milagre e isso já é um grande motivo pra celebrar, né? E com ele aprendi a comemorar os desafios superados, porque a vida é desafiadora e depende do nosso olhar pra superar cada desafio.

Na natação, ainda pequeno ( 3, 4 anos) quando ele mudava de nível, lá estava eu com um bolo que ele todo sorridente servia para as crianças. Aprendi também sobre o tempo de aprender. Comecei a refletir sobre a necessidade das crianças regulares andarem tão cedo se há tanto pra ser explorado no chão.

Mateus andou quando teve que andar. Sem pressão e ansiedade minhas. Ele e eu construímos juntos tudo que envolvia o " caminhar", com firmeza e equilíbrio. Descontruímos a hipotonia – diminuição do tônus muscular e da força – e desde então ele se tornou uma criança "presente no corpo". Essa hipotonia foi revertida com alimentação quase vegana ou ovolactovegetariana e sem açúcar. Yoga, massagem e natação durante os primeiros seis anos.  Fez sessões de fono durante cinco anos. E claro, com minha total confiança de empoderá-lo e de acreditar na capacidade máxima dele pra se tornar um ser livre.

Aprendi sobre diversidade e meu olhar para o outro se ampliou. E há dez anos venho cuidando de bebês, crianças, adolescentes e adultos desafiadores (adotei esse nome pois acho mais positivo e instigante), com o que eu chamo de " Caminho terapêutico" , aplicando yoga e massagem numa abordagem profunda e amorosa onde faço uma conexão com a alma daquele ser, e os resultados têm sido surpreendentes. Acolho também as famílias onde dou todo o suporte que precisam.

Sobre a inclusão, no caso da síndrome de Down, aprendi com minha experiência que até os 6 anos é tranquilo, mas depois, quem faz a  verdadeira inclusão é a criança com tudo que lhe foi apresentado e construído diariamente, e, reverter a hipotonia faz parte desta inclusão.

Kátia Gontijo é yogaterapeuta e massoterapeuta. Apaixonada por cuidar do outro, ela desenvolveu o “Caminho terapêutico”, abordagem amorosa através da yoga e massagem que contribui para o desenvolvimento das crianças desafiadoras.



21/03/2017 - 13:45

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