Tudo bem sentir raiva

Aprender a lidar com os sentimentos desde cedo, de maneira natural, nos ajuda a ser mais fortes na vida

Ana Holanda

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
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Durante 11 anos, Tania Paris trabalhou como voluntária do Centro de Valorização da Vida, o CVV. Ali, conversando com pessoas que estavam vivendo situações-limite, ela aprendeu algo valioso: “O que realmente pesa é a dificuldade em lidar com o que se está sentindo, é a quantidade de sofrimento”. Uma questão que ficava martelando Tania é se seria possível evitar que a pessoa chegasse àquele ponto. Foi quando ficou sabendo de um programa, desenvolvido na Europa, cujo foco era esse. Foi assim que nasceu, há 12 anos, a Associação para a Saúde Emocional de Crianças, a Asec, que ela preside. A associação realiza um trabalho lindo e que pode mudar o rumo da vida de muita gente.

 Como surgiu a associação?
Soube dessa experiência, que estava acontecendo na Europa, voltada para crianças pequenas. O idealizadores partiram do seguinte desafio: o que poderia ser feito, o mais cedo possível, para evitar que as pessoas experimentassem momentos de tanto desespero ao longo da vida? A conclusão foi que isso era possível, desde que se investisse na proteção da saúde emocional das crianças.

Como se protege a saúde emocional?
 Ensinando habilidades às crianças para lidarem consigo mesmas, para perceberem os próprios sentimentos e, a partir disso, serem capazes de desenvolver estratégias para se sentirem melhor.

 Como fazer isso na prática?
Ensinamos como dizer ao outro como está se sentindo em relação a uma situação. Mudanças, para qualquer pessoa, são os momentos mais difíceis, porque implicam perdas. Ajudar as crianças a desenvolver essas habilidades e força emocional é o que norteia a nossa associação.

  Não estamos ajudando nesse desenvolvimento  emocional?

Estamos propagando conceitos falhos com as nossas crianças, porque foi assim que aprendemos. Por exemplo, quando você  diz a ela que não tenha raiva, está errando. Não existe não sentir aquilo, porque não controlamos nossas emoções dessa forma. Ou quando dizemos que  raiva é feio. Isso é uma deseducação, porque estamos separando a criança dela mesma. E o caminho é o oposto. Ela tem que perceber o que está sentindo e aprender o que deve fazer para essa raiva passar.

  Mas como fazer isso?
Formamos professores de escolas públicas, que atuam com crianças entre 6 e 7 anos e as ajudam nesse desenvolvimento das emoções.  

E em casa, tudo bem demonstrar o que sente para os filhos?
Claro! Ficar com raiva, ansiedade ou com medo é normal. Se você assume, pode conversar sobre isso. Se não demonstra, abafa. E, ao tornar isso transparente, está ensinando que é natural

09/01/2017 - 17:23

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