Um novo mercado para os cosméticos

O crescimento do segmento vegano veio acompanhado de produtos de higiene e beleza específicos para pacientes com câncer. Entenda

Letícia Gerola

Tratamentos para o câncer podem causar irregularidades na pele que afetam em diferentes graus a aparência física de uma pessoa | <i>Crédito: iStock
Tratamentos para o câncer podem causar irregularidades na pele que afetam em diferentes graus a aparência física de uma pessoa | Crédito: iStock

Em 2012, o Ibope registrou o crescimento de 8% de vegetarianos, veganos e simpatizantes no Brasil. O aumento aparece de maneira progressiva no mundo, principalmente Espanha, Reino Unido, Suécia, Israel, Índia e Alemanha.
  Mais conscientes sobre o impacto do consumo no meio ambiente, um número crescente de consumidores de cosméticos está buscando produtos alternativos, que, além de valorizar a beleza e o bem-estar, promovam a harmonia com a natureza. Por esse motivo, a indústria de cosméticos certificados como naturais, verdes, veganos e orgânicos vem ganhando um espaço cada vez mais expressivo no mercado de cosmetologia mundial.
  A principal diferença da categoria dos cosméticos veganos em relação aos naturais, verdes e orgânicos é o fato de não haver nenhuma relação com matérias-primas de origem animal como banhas, mel e leite nas composições, além da exclusão de processos que envolvam animais nos testes realizados antes do consumo humano. A essência da categoria é baseada no estilo de vida vegano, que exclui a exploração de animais para qualquer atividade humana como alimentação, beleza, entretenimento entre outros. O selo SVB Vegano, responsável pela gestão e sistema de certificação desde 2003 no Brasil, garante a procedência de produtos veganos, reconhecendo o vegetarianismo e o veganismo como um estilo de vida ético, saudável e sustentável.
   Além de proteger os animais, os cosméticos veganos prometem apresentar resultados muito superiores aos cosméticos regulares. Contendo em suas fórmulas elementos vegetais, a biocompatilibilidade com a pele e cabelos é mais eficiente, proporcionando experiências que vão além da limpeza e hidratação, como melhora na elasticidade, brilho, jovialidade e saúde dos tecidos.

O câncer vai, a beleza fica

Tratamentos para o câncer podem causar irregularidades na pele que afetam em diferentes graus a aparência física de uma pessoa. Para a presidente da Federação Latino-Americana de Sociedades de Ciências Cosméticas, da Associação Uruguaia de Ciências Cosméticas, “produtos para higiene diária, proteção e hidratação da pele, maquiagens são muito importantes, porque se relacionam com a aceitação da imagem, a recuperação das relações sociais e interpessoais, maior segurança e aumento da autoestima. Não devemos esquecer do protetor solar, porque muitos dos medicamentos utilizados nas terapias são fotossensibilizantes”, esclarece a especialista.
  Entre as sequelas mais comuns, estão pele muito seca, eczemas, dermatite, acne, ressecamento nasal, irritação, coceira, manchas, aumento da sensibilidade ao sol e perda de cabelo. Para tratar esses problemas sem oferecer riscos, cosméticos para pessoas com câncer devem ser cuidadosamente formulados, de uma maneira que não contribua para alteração da barreira da pele.
  Outra tendência comentada pela química farmacêutica são os produtos naturais, que têm entrado fortemente no mercado e geralmente são aplicados a cosméticos apropriados para tratamentos contra o câncer. “Ainda que sejam alternativos aos convencionais, nem todo produto natural é seguro. Ainda são substâncias químicas, porém extraídas de fontes naturais. O uso de formulações eficazes determinará o nível de tranquilidade dos tratamentos oncológicos, obtendo continuidade e aderência”, explica Lídia. 

04/06/2017 - 07:38

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