Única mulher brasileira a ir para a estratosfera é condutora da Tocha Olímpica

Fascinada por novas experiências, Dina Barile embarcou em um caça MIG 29, na Rússia, e se tornou a primeira e única mulher brasileira a chegar à Estratosfera. Conheça sua história

Letícia Gerola (Colaboração: Dina Barile)

Dina foi a 16.700 metros da Terra, em um caça MIG 29. Fez diversas manobras de combate e foi submetida a uma força 7G (sete vezes o peso do seu corpo) | <i>Crédito: Divulgação
Dina foi a 16.700 metros da Terra, em um caça MIG 29. Fez diversas manobras de combate e foi submetida a uma força 7G (sete vezes o peso do seu corpo) | Crédito: Divulgação

Dina Barile é uma sonhadora. Mas não dessas pessoas que vivem em um mundo imaginário, que não passa de desejo e de pura fantasia. É que Dina é também uma realizadora, especializada justamente nisso: concretizar aquilo que sonha!
            Jornalista apaixonada por turismo, já conheceu 127 países. Em novembro de 2015, tornou-se primeira brasileira a viajar para a Estratosfera. Para a viagem até a estratosfera, Dina precisou ir até a Rússia. Tudo foi organizado pela empresa do astronauta brasileiro Marcos Pontes. Dina foi a 16.700 metros da Terra, em um caça MIG 29. Fez diversas manobras de combate e foi submetida a uma força 7G (sete vezes o peso do seu corpo). Para isso, se preparou durantes seis meses com uma médica especializada em esportes radicais, tomou vitaminas, passou por vários exames e fez academia - que detesta. “Sou a primeira brasileira a fazer essa emocionante viagem. Levei a bandeira nacional comigo, conta”.
            Recentemente, em dezembro do ano passado, pediu votos na internet para conquistar outro sonho: ser uma das pessoas escolhidas para carregar a Tocha Olímpica. O “concurso”, realizado pelo Comitê Olímpico Brasileiro, foi apenas entre os 50 mil voluntários já escolhidos para os Jogos. Cada voluntário que quis participar enviou um vídeo falando de suas motivações e pedindo o voto. Foi escolhido apenas um voluntário em cada estado. Dina, que trabalhou com voluntária na Copa do Mundo de 2014, é a voluntária escolhida para conduzir a Tocha Olímpica, como a representante de São Paulo, entre todos os inscritos para trabalhar como voluntários nos Jogos Olímpicos do Rio de 2016.
            Serão apenas 200 metros de percurso. Mesmo assim, já se prepara. “Tenho andado em casa com uma garrafa de refrigerante. Logo farei isso em parques também, ainda que todo mundo ache esquisito”, diz. E acrescenta: “É um sonho que será realizado. Sou apaixonada por esportes e levar a tocha me tornará, de certa forma, além de voluntária, uma atleta desses jogos tão importantes”. A tocha olímpica passará por 250 cidades de todo os estados brasileiros. O revezamento para levá-la começará em maio de 2016. Serão percorridos 20 mil quilômetros. Ao total, 10 mil pessoas vão carregar a tocha.
            O grande sonho, paixão e realização de Dina são as suas viagens. Os números impressionam, mas não revelam tudo: 127 países já é muita coisa, mas para vários ela viajou diversas vezes. Esteve fora do Brasil em torno de 400 vezes.  
            Durante os 30 anos em que trabalhou no banco Banespa, viajava sempre nas férias: uma vez por ano dentro do Brasil e no ano seguinte para o Exterior. Depois de aposentada, segue viajando muito. Conhece lugares instigantes e exóticos como Butão, Índia, Madagascar, Islândia, Namíbia, Etiópia, Tailândia, Antártica e Tunísia. “Amo viajar e conhecer lugares bonitos e instigantes, mas principalmente conhecer pessoas e culturas. É o que mais me motiva”, conta a jornalista, que criou um Portal, depois de suas andanças, o Spot Life.
            Apesar de aventureira, Dina é uma mulher discreta. Desde sempre aprendeu que a discrição e a segurança estavam acima de tudo e que não deveria correr riscos. E também precisou lutar contra a falta de autoestima. “Meus pais eram muito humildes. E, com medo que eu ficasse mimada, nunca me elogiaram e nunca tomaram meu partido. Se alguém brigasse comigo ou me batesse na escola, ao invés de ir lá tomar satisfação, como as mães das minhas amigas faziam, minha mãe dizia: ‘se você apanhou é porque aprontou algo e mereceu’. Sempre a primeira da classe e mesmo do colégio, tirava 10 em tudo, se tirasse um 9,5, já não me conformava. “As pessoas me elogiavam para minha mãe dizendo que eu era inteligente, e ela respondia: ‘ela não é inteligente, ela é esforçada’. Até hoje muito do que faço é para ouvir que eu sou inteligente e capacitada; é esperando que alguém me reconheça”, diz.
            Se considera “Pós Doutorada em Viajologia”, “Já conheci 23 estados em nosso lindo País e quase 130 países, em todos os continentes, acumulando conhecimento através do contato direto com outras culturas”, afirma, acrescentando que até fica surpresa com as suas conquistas. Quer exemplos? Dina celebrou aniversário na Antártida em um ano e no Polo Ártico no outro, onde foi presenteada por belíssimas Auroras Boreais. “Quero ser um agente transformador para que o Brasil atraia turistas e possamos trocar conhecimento, cultura e informações. Sou determinada em divulgar o País, incentivando todas as pessoas que conheço ao redor do mundo a vir conhecê-lo. Pode não ser muita coisa, mas adoro saber que faço a minha parte”, finaliza.

23/03/2017 - 16:33

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Revista Vida Simples