O cinema e a vida

Os filmes podem nos ajudar a encontrar respostas, a compartilhar sentimentos e a aprender um pouco mais sobre nós mesmos e o mundo. Tudo isso por meio de uma tela, grande ou pequena

Texto: Suzana Vidigal

O cinema e a vida | <i>Crédito: KAKA/SHUTTERSTOCK
O cinema e a vida | Crédito: KAKA/SHUTTERSTOCK
UM ANÃO, UM ALBINO E UM CASAL atrapalhado (e apaixonado) dentro de um lindo teatro, tentando evitar o assassinato do papa. Ao resgatar a minha memória afetiva cinematográfica, Golpe Sujo, de 1978, é a primeira forte lembrança. Minhas festas eram sempre com uma amiga-irmã. Nossos pais resolveram inovar, alugaram o filme e um projetor, e fizeram da parede da casa a tela de cinema, com o cuidado de esperar a luz do dia ir embora para termos, enfim, a sala escura.

Tenho essa lembrança viva na memória e no coração – e, com uma rápida mensagem, confirmei que minha amiga também não esqueceu. O cinema faz isso com a gente: proporciona experiências, provoca sensações das mais variadas, e todas elas juntas compõem aquilo que somos hoje. Cinema reúne gente, compartilha sentimentos, é parte viva da nossa trajetória.

Aliás, o cinema se transformou na minha trajetória em si. Quando criei o blog Cine Garimpo, em 2009, não imaginava o parceiro que ele se tornaria. Escrever sobre filmes e estreias era hobby – ainda mais para alguém que trabalhava traduzindo, havia 20 anos, as ideias de outras pessoas. Assim, colocar no papel o meu pensamento era uma novidade preciosa – mas só me dei conta disso mais tarde, quando a vida deu uma cambalhota e precisei me transformar. Foi quando me reconheci nas atitudes e sensações que estavam espelhadas em cada um dos filmes assistidos durante esses anos. Percebi que o cinema represava os sentimentos e que os medos não eram só meus. 

Me dei conta de que os desafios eram comuns a todos. E notar isso, num momento em que me faltava o chão, foi como um abraço apertado, firme e amoroso de um amigo dizendo: “Estamos juntos, pode contar comigo sempre”. O cinema me acolheu com a mesma generosidade com que abraça a vida. Provou que nunca estive sozinha, que tem sempre uma palavra, uma imagem, uma música capaz de me questionar, comover, fazer pensar ou sorrir, contar o que não sei e deixar a certeza de que somos feitos da mesma matéria. E que tudo vai ficar bem. Filmes falam de sentimentos universais e, assim, a sessão vira uma deliciosa simbiose. Garimpei 15 que despertam sensações que você provavelmente já experimentou. Acolha e abrace de volta esse cinema nosso de cada dia.

25/08/2017 - 10:02

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Revista Vida Simples