A água é mãe

O olhar das pessoas, que dela vivem, nos conta mais do que discursos prontos sobre a importância da água para a vida

Gabriel Ghidalevich

Ao longo do caminho, Gabriel conheceu pessoas que vivem uma relação visceral e de amor com a terra e com a água. | <i>Crédito: Gabriel Ghidalevich
Ao longo do caminho, Gabriel conheceu pessoas que vivem uma relação visceral e de amor com a terra e com a água. | Crédito: Gabriel Ghidalevich

Durante 30 dias, Gabriel Ghidalevich viajou, com mais quatro pessoas, Brasil adentro. Passou pelos estados do Amazonas, Ceará, Bahia, Espírito Santo e Pará. E conheceu muita gente simples, mas de um conhecimento profundo sobre a natureza e sobre a vida, populações que vivem à margem do rio ou em regiões longínquas do sertão. O objetivo era contar histórias sobre a água, por meio de um documentário, e chamar a atenção para algo que se finda um pouco a cada dia sem que a gente se dê conta disso. Mas como fazer um filme sobre a água sem cair nos clichês, sem repetir a frase que sabemos tão bem: “Se a gente não cuidar, ela vai acabar”. Sabemos que a água vai ou pode se tornar escassa. Mas será que, de fato, nos importamos? “Sempre ouvimos falar sobre o aquecimento global, o desmatamento, mas é algo distante da nossa realidade e, assim, isso não nos toca”, diz Gabriel, diretor do documentário, produzido e desenvolvido pela Conspiração. “Mas, quando você chega nesses lugares, começa a ver isso de perto, as consequências disso para as comunidades. A quantidade menor de árvores, a seca”, conta. Gabriel e seus companheiros de viagem se impressionaram, por exemplo, com o São Francisco, cuja imponência é conhecida. O que encontraram foi um rio que reduziu sua margem em quilômetros, que se esvai, morre em um silêncio angustiante. E, claro, conheceram pessoas, gente guerreira, apaixonada pela terra de origem, pela água. E são elas que guiam o documentário e nos sensibilizam tanto. Pessoas que enxergam no rio uma mãe, cheia de sabedoria e amor. “Aprendemos a pedir licença antes de entrar nos lugares, a olhar a floresta e o sertão como locais sagrados. E, claro, ninguém voltou o mesmo para a casa. Não dá para não se importar depois de conhecer gente de tanta sabedoria, nadar nesses lugares, senti-los”, revela Gabriel. O documentário se transformou em um webdoc, Terra Molhada, de cinco episódios, disponível no YouTube, em que cada um representa um ciclo da água.

25/06/2018 - 12:03

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Revista Vida Simples