O silêncio mora aqui

No inverno de um pequeno vilarejo chamado Cabo Polonio até o vento se cala. E a única voz é a que vem de dentro

Rodrigo Dallano di Falco

Na estação fria, alguns moradores fecham suas casas e seguem para aldeias próximas | <i>Crédito: Rodrigo Dallano di Falco
Na estação fria, alguns moradores fecham suas casas e seguem para aldeias próximas | Crédito: Rodrigo Dallano di Falco

Um pequeno vilarejo com pescadores, artesãos, casas simples e um farol. Assim é Cabo Polonio, no Uruguai. Um pedaço de terra que encontra o mar e local seguro para os lobos-marinhos. Para chegar, é preciso unir o desejo com a vontade. O acesso só é possível a cavalo ou em um veículo 4x4. Luz elétrica não tem — há apenas alguns parcos geradores. Cabo Polonio recebe raros visitantes, em geral aventureiros, que vão até esse pequeno pedaço de terra na estação mais quente do ano. No inverno, a cidade hiberna. O silêncio é tão profundo e o frio, tão intenso que até mesmo alguns de seus poucos moradores deixam a região para se abrigarem em outras paragens. Mas foi essa quietude que atraiu o fotógrafo Rodrigo Dallano, que, em 2014, visitou o local. “Cabo Polonio se torna um lugar de silêncio, quebrado apenas pelo barulho do vento, e isso me encanta. Ali o tempo parece não existir, sem minutos, sem segundos, o que nos convida para uma viagem interior para ouvir os nossos silêncios”, comenta Dallano. “E o silêncio não me incomoda, na verdade ele é fundamental para que me sinta mais presente em relação àquilo que estou fotografando. Acho que me encontrei um pouco nesse lugar”, conta.

Rodrigo Dallano gosta também do silêncio das montanhas. Para saber mais:  instagram.com/rfdallano/

23/05/2018 - 09:56

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Revista Vida Simples