Pesquisadores da USP criam aplicativo para diminuir a depressão em idosos

A técnica inclui visitas na casa do idoso e o ensino de como usar ferramentas digitais; app foi instalado em tablets utilizados pelos agentes de saúde nos encontros com o paciente

Letícia Gerola

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Hospital das Clínicas e da London School of Hygiene & Tropical Medicine | <i>Crédito: iStock
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Hospital das Clínicas e da London School of Hygiene & Tropical Medicine | Crédito: iStock

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um programa de assistência para idosos com depressão que está dando resultados: chamado de cuidado colaborativo, a técnica inclui visitar o idoso em casa, conversas e ensinar a usar ferramentas digitais. Após cinco meses de visitas á domicílio, 87% dos pacientes atendidos apresentaram melhora significativa nos sintomas, chegando até a reverter o quadro depressivo.
                A pesquisa, conduzida por pesquisadores do Hospital das Clínicas e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, desenvolveu um aplicativo para que o idoso interaja, instalado em tablets levados pela equipe médica nos encontros com o paciente. Foram atendidos 33 idosos cadastrados com depressão em uma unidade básica de saúde na cidade de São Paulo.
                A abordagem, denominada ProActive, se baseia em quatro princípios: cuidado colaborativo dos idosos, tratamento em etapas, uso de tecnologia e task shifting, ou seja, a mudança constante das atividades propostas aos idosos. “A depressão em idosos é um problema grave. A escassez de tratamento está relacionada à falta de profissionais especialistas em saúde mental, aos altos custos dos serviços especializados e à dificuldade em se identificar a doença cedo, já na atenção primária”, explica Marcia Scazufca, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.
                Entre as atividades propostas pelo aplicativo, uma animação traz dois personagens com depressão que adotam comportamentos opostos em momentos de maior desânimo: enquanto um decide por telefonar para um amigo ou dar uma volta no bairro e se sente melhor com isso, o outro não faz nada e fica mais desanimado. A narradora sugere que, “para que a roda gire na direção da melhora”, o idoso pense, junto com o agente de saúde, em iniciativas que possam ajudar a se sentir melhor.
                “A depressão tem impactos negativos importantes na qualidade de vida, nos relacionamentos, na capacidade funcional e no uso de serviços de saúde. Além disso, está associada a doenças crônicas comuns no envelhecimento, como diabetes e hipertensão. O que se observa no Brasil e em outros países é que os sistemas de saúde ainda não estão preparados para atender às necessidades de saúde de idosos com depressão”, disse. Com o sucesso do programa-piloto, os pesquisadores se preparam para a realização de um ensaio clínico para avaliar o custo e a efetividade do ProActive em larga escala e a viabilidade de sua incorporação pelo SUS.

18/01/2017 - 19:06

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