Um mergulho no Marajó

A lente de um fotógrafo revela que a maior beleza dessa ilha está no cotidiano de suas pessoas

Ana Holanda

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
- | Crédito: Vida Simples Digital
No Marajó, ilha que pertence ao estado do Pará e que fica no Norte do país, as ruas e avenidas são as estradas de terra e os rios. E os meios de transporte, os barcos e os búfalos. No lugar, o fazer manual, as tradições e a relação mais próxima entre as pessoas ainda faz parte da rotina. Foi nesse cenário que o fotógrafo Eliseu Pereira Machado sempre viveu. Ele nasceu na cidade de Muaná, que faz parte do arquipélago e desde sempre, como costuma dizer, gosta de fotografar. Comprou a primeira câmera profissional aos 17 anos e a partir de então registra o cotidiano do lugar como uma maneria de manter viva a alma das pessoas dali, as histórias e os costumes ancestrais. “As pessoas só vêm para o Marajó para fazer turismo. Acham que o lugar só tem índio e praia de rio, mas a maior beleza da região são as suas pessoas”, diz ele. “E esse registro é uma maneira de mostrar isso, porque eu convivo com essa gente, sei da trajetória de cada um e tento transmitir toda essa riqueza nas imagens. Eu não clico e vou embora, mas conheço de verdade a pessoa”, explica. O resultado é belo, delicado e cheio de força. A série, que  ele batizou de Nos Caminhos do Marajó já virou exposição – Eliseu tem um arquivo vasto, com mais de 40 mil cliques – e foi selecionada pela curadoria do Museu do Louvre, em Paris, para uma mostra por lá, que deve acontecer agora em 2017. “Se a gente não souber valorizar esse trabalho simples, mas cheio de significado para a nossa história, ele vai acabar”, constata o fotógrafo.

ELISEU PEREIRA quer seguir fotografando o povo do Marajó. Para saber mais: flickr.com/photos/eliseupereira

23/01/2017 - 11:45

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Revista Vida Simples