Peças misturam saberes tradicionais em novas abordagens

Coletivo Artesol proporciona o intercâmbio de conhecimento entre jovens designers e mestres artesãos brasileiros. Vem ver o resultado

Letícia Gerola

Coleções surgiram da imersão proposta pelo Coletivo | <i>Crédito: Camila Pinheiro
Coleções surgiram da imersão proposta pelo Coletivo | Crédito: Camila Pinheiro

Conectar estilistas, designers e arquitetas a mestres artesãos brasileiros. Esse é o objetivo do Coletivo Artesol, que pretende resgatar e reinventar técnicas seculares como a cerâmica, os bordados, a cestaria e outras expressões criativas do interior do país através de vivências culturais.
         Para isso, a ideia é que as designers – todas mulheres - embarquem em viagens para pesquisar matérias-primas de diferentes biomas e aprender sobre os saberes tradicionais e referências culturais de artistas populares em vilas de rendeiras, comunidades caiçaras, terras quilombolas, povoados ribeirinhos do São Francisco e da Amazônia e outros polos de produção artesanal do País. “A partir de um mergulho no universo lúdico dessas comunidades, as profissionais propõem a co-criação de objetos que valorizam o design brasileiro recriando peças tradicionais com um olhar contemporâneo”, explica Josiane Masson, coordenadora executiva da Artesol.

As viagens

A última viagem realizada por cinco designers que integram o Coletivo aconteceu no Vale do Jequitinhonha, um polo de cerâmica no sertão mineiro, onde as mulheres atuam com a produção de objetos de barro  moldados manualmente. “Vimos a arte delas: muitas bonecas, rendas, rosas, santos e delicadezas. Ouvimos várias histórias e aprendemos muito sobre esperança, resiliência e fé. e resolvemos criar uma coleção”, com uma espécie de japamala confeccionada a partir de contas de cerâmica, além de móveis e outros objetos ainda em criação”, explica Aline Victor, que é designer no Ateliê Bibirúbicus.

As designers

Para a arquiteta Maria Helena Emediato que também atuam no Bibirubiscus, as viagens com o Coletivo significam a possibilidade de estudar formas, pigmentos e texturas naturais e criar coleções que carregam narrativas e símbolos. “O nosso ateliê respeita e valoriza a matéria-prima local, a mão-de-obra nacional, a experiência dos artesãos e o tempo certo das coisas. Tudo ao seu tempo: o tempo de cura das tintas, o tempo do trabalho artesanal, o tempo da criação. Numa época onde a velocidade, a quantidade de informações e a ansiedade dominam, remamos na direção contrária: desacelerando e buscando o essencial”, conta Helena.
  A estilista Manuela Rodrigues, que viveu cinco anos na França - e já trabalhou para Hermès, La Cost e Huis Clos – resolveu investir em uma marca própria (Cabana Crafts) para se reconectar com tradicões seculares do interior do País e aposta na criação conjunta com artesãos para desenvoler coleções com pequena tiragem de produção autoral e inteiramente brasileira e já trabalhou com bolsas de algodão e tingimento natural, tecidas em tear manual por artesãs de Berilo, em Minas Gerais.
  Já a jornalista e designer Camila Pinheiro viajou para diferentes comunidades do País não só para desenvolver objetos, mas também para documentar as histórias de técnicas e inspirações das artesãs (www.maos.art.br). “Enxergamos o artesanato como um manifesto local que exprime contextos sociais, políticos, culturais, ambientais ou espirituais complexos, e que se mantêm influências vivas transitando entre o ancestral e o contemporâneo. Por meio de imersões, encontros e prosas, queremos ser um canal para as vozes dessas mulheres, brasileiras, artesãs, lideranças, autoras de saberes e protagonistas de suas história.
  Na última edição, o projeto impactou economicamente 50 comunidades tradicionais brasileiras. O resultado dessa imersão foram lindas coleções, entre elas, a SerTão Divino, criada por duas designer do coletivo após uma viagem ao Jequitinhonha. As peças das designers do Coletivo, assim como um mix de produtos de dezenas de comunidades tradicionais brasileiras, hoje estão disponíveis na Loja Artiz (JK Shopping, em São Paulo) até final de julho. 

23/03/2017 - 17:07

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Revista Vida Simples