A espiritualidade cotidiana

Olhar com atenção para a cidade, buscar um sentido naquilo que faz e se abrir para as pessoas são atitudes que nos colocam em contato com nós mesmos

Paula Abreu

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Quando meus leitores me perguntam “Como faço para desenvolver minha espiritualidade?”, sei que imaginam uma resposta que tenha a ver com meditação, jejum, ioga, templos, orações ou um indiano barbudo meditando aos pés do Himalaia. Fantasiam que vou recomendar que mudem a alimentação ou se vistam de forma diferente. E que façam uma viagem para a Índia. A única resposta que posso oferecer é bem diferente disso. E, talvez, menos interessante ou charmosa. Mas, por outro lado, essa resposta fala de uma espiritualidade muito mais acessível e que está ao seu alcance hoje mesmo, independentemente de quanto tempo você tem livre ou quanto dinheiro tem no banco. Tudo é espiritualidade, não só meditar aos pés do Himalaia. Espiritualidade é trabalhar com amor, dar significado ao seu trabalho; fazer não só para pagar as contas no fim do mês mas se colocar a serviço de outras pessoas e do universo. De preferência naquilo que você nasceu para fazer, usando seus dons, talentos e habilidades. Mas, se isso não for possível, dar significado ao que você faz exatamente hoje. Enxergar como a oportunidade de aprendizado e crescimento, a preparação para um voo mais alto. É perceber, quando não se tem tudo o que se gostaria, que existe uma diferença sutil, mas muito importante, entre o que é desejo ou vontade, daquilo que é essencial na sua vida hoje. E sentir uma grati dão profunda ao perceber que o essencial, o necessário para a sua sobrevivência, já está sendo suprido pelo universo ao redor. Espiritualidade é estar presente nos seus relacionamentos, enxergar a divindade no outro e honrar isso. É dar ao outro o seu tempo e a atenção plena. É perceber que as pessoas em volta não são só figurantes na sua história, elas têm histórias também, que devem ser ouvidas com o coração. É perdoar. Não porque você é “espiritualizado” e superior, mas porque se deu conta de que aquilo em que acreditou estava errado. Espiritualidade é andar nas ruas e, em vez de olhar apenas para a sujeira ou a violência, enxergar a beleza do céu, ter prazer ao sentir a brisa no rosto, reverenciar as árvores. É observar quantas pessoas “invisíveis” trabalham para que você tenha o que considera “garantido”: quem conserta os cabos de eletricidade, recolhe o lixo, assa o pão. É perceber que você está onde deveria estar e o universo está lhe dando exatamente tudo o que precisa no momento presente. E é sentir gratidão por tudo isso. É parar de rejeitar e resistir aos problemas, às adversidades e aos desafios, se achando injustiçado ou vítima porque a vida não está acontecendo exatamente do jeitinho que você acha que deveria estar. Tudo isso é espiritualidade e pode fazer parte da sua vida, a partir de agora. Basta você fazer uma única nova escolha. ƒ

PAULA ABREU é coach e autora do livro Escolha Sua Vida (Sextante). Seu site é escolhasuavida.com.br

19/12/2016 - 12:13

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