Acolha a sua irritação

Observar e aceitar nossos sentimentos ruins é o primeiro passo para transformar a nossa realidade

paula abreu

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
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Às vezes, resolvemos que vamos ser “superpositivos” e, a partir daí, começamos a reprimir tudo o que julgamos não ser “positivo”. Ou resolvemos ser “tranquilos” e excluímos da nossa vida toda agressividade ou impaciência, ou o que julgamos não ser “tranquilo”. E assim por diante. Acontece que, quando reprimimos uma emoção, ela não deixa de existir – continua ali, vivinha da silva, escondida dentro da gente. Aceitar o que você está sentindo faz parte de aceitar o momento presente, que é sempre perfeito (inclusive as partes dele que a gente julga não serem perfeitas). É estar em paz com você mesmo e com o Universo. Mas cuidado! Quando digo que é preciso acolher e aceitar a sua emoção, não estou dizendo que você deve se identificar com ela. Se está sentindo raiva, um caminho é observá-la, aceitar o que está sentindo, e até se permitir socar uma almofada. Mas sem se tornar uma pessoa raivosa e agressiva. E por que é importante se permitir experimentar as suas emoções, sem exceção? Porque, toda vez que escondemos um sentimento embaixo do tapete, começamos a projetá-lo em outras pessoas, situações e circunstâncias na nossa vida. Ou seja, passamos a criar uma realidade que inclui justamente essa emoção excluída à força do nosso mundo. Mas nada pode ser excluído. Se você reprime a sua raiva, provavelmente vai encontrar mais pessoas ou situações  que te irritam, ou vai interagir com pessoas irritadas ou agressivas (muitas vezes sem nenhum motivo aparente). O primeiro passo para parar esse processo de repressão e projeção é se observando: que tipos de pessoas ou situações incomodam você? O segundo passo é se abrir para a possibilidade de que talvez-quem-sabe essa coisa que o incomoda no outro, ou do lado de fora, também exista em você, do lado de dentro. Esse incômodo é a sua oportunidade de curar aquilo que precisa ser curado. Se você vê, está em você. Uma vez, uma cliente me disse: “Então sou lerda e incompetente?” (duas coisas que a estavam incomodando em várias pessoas). “Sim”, eu respondi. E perguntei: “Você não é lerda e incompetente em nenhuma situação na sua vida?”. “Não.” “Consegue pensar em alguma circunstância sob a qual você poderia, em tese, ser lerda e incompetente?” “Não.” “Imagina que você está indo para um trabalho no Japão e seu nível de japonês é básico. Será que, lá, você poderá parecer lerda e incompetente, mesmo dando o seu melhor?” Ela disse: “Ok, moro fora do Brasil. Fui lerda total”. E aí damos o terceiro passo: trazer para a luz a sua sombra, aceitar tudo o que você é, o bonito e o feio, o bom e o mau. Acolher. Olhar com compaixão para si mesmo e poder, a partir daí, sentir a mesma compaixão com relação aos outros. E então a sua vida inteirinha começa a mudar.

PAULA ABREU é coach e autora do livro Escolha Sua Vida (Sextante). Seu site é escolhasuavida.com.br

24/05/2017 - 11:05

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