É hora de aceitar o seu chamado

Adiamos aquilo que nos traria satisfação e alegria, mas quando, finalmente, deixamos o medo de lado conseguimos recriar nossa história

Paula Abreu

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
- | Crédito: Vida Simples Digital
Em um sábado de manhã ao andar pela São Clemente [no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro] para pegar um táxi, vi uma daquelas cenas razoavelmente comuns nas grandes cidades, mas que nunca deixam de me chocar: dois caminhões do Corpo de Bombeiros cercavam um acidente que tinha acabado de acontecer. No chão, já coberto com um plástico, o corpo estendido da vítima. Ao lado, um carro batido em um poste, com a frente bem amassada. Próximas ao corpo, duas mulheres choravam e se abraçavam enquanto olhavam para aquela situação. Era final de semana, estava um dia lindo de sol. O relógio marcava apenas 9h30 da manhã. Assim que entrei no meu táxi, não pude deixar de imaginar uma história. Pensei em como aquela pessoa, saindo de casa naquela linda manhã de sábado, teria jamais imaginado que, dali a alguns instantes, estaria sem vida. Mas, apesar de morta, ela não tinha um problema. Ela viveu uma situação de emergência em que havia apenas dois desfechos possíveis: sobreviver ou morrer. Nenhum dos dois desfechos seria um problema. Muitas vezes, o nosso problema não existe de verdade no momento presente. Estamos ou revivendo questões do passado – uma velha história de tristeza, perda ou dor – que nos impede de ir adiante, ou estamos antecipando incômodos futuros cuja materialização ou desfecho não temos como prever. Transitamos entre a angústia das questões passadas e a ansiedade sobre como podemos controlar o porvir. Esta semana escrevi no meu blog sobre o “chamado”, que é o segundo estágio da Jornada do Herói, um conceito de “jornada cíclica” de 12 estágios, que está presente na mitologia, lendas, histórias, contos de fadas e religiões ao redor do mundo. Na nossa vida, muitas vezes estamos seguindo um curso determinado quando somos surpreendidos por acontecimentos fora do nosso controle: separações, divórcios, falência, doenças, a morte de alguém querido. É o chamado para agir. Quando a gente escolhe conscientemente essas dificuldades ou situações de dor – o “chamado” dentro da nossa história –, e quando nos dispomos a embarcar nessa jornada, escolhemos criar pra nós mesmos uma nova história, deixando o medo para trás e assumindo a autorresponsabilidade de cocriadores. Você tem um problema hoje? E se essa dor pudesse ser transformada em fonte de poder, em oportunidade e combustível que faltavam para você seguir em uma grande aventura com desafios que são necessários pra sua evolução pessoal? E se você pudesse transformar em aprendizado todo o seu sofrimento? Chega de ser uma vítima das circunstâncias. É hora de você aceitar o seu chamado.

PAULA ABREU é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no acreditaemedita.com.br.

11/08/2017 - 08:51

Conecte-se

Revista Vida Simples