O açúcar e o medo

O primeiro está presente em alimentos que não fazemos ideia; o segundo, em situações diversas. Entenda como identificar onde eles se escondem

Paula Abreu

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
- | Crédito: Vida Simples Digital
A nutricionista americana J.J. Virgin escreveu o livro The Sugar Impact Diet (A Dieta do Impacto do Açúcar, em tradução livre), no qual ela mostra por que o açúcar é hoje o principal inimigo da saúde pública nos Estados Unidos. O que acontece é que, mesmo as pessoas sabendo que o consumo frequente do açúcar refinado causa uma série de doenças, elas não conseguem parar de consumi-lo. E o que é mais perigoso, segundo J.J. Virgin, é que ele está escondido em vários alimentos, sem que a gente perceba. É evidente quando o açúcar está no bombom – mas não nos damos conta de que ele também está no salgadinho ou mesmo num simples tomate seco. Virgin chama isso de sneaky sugars, ou “açúcares ocultos”. Mas o que isso tem a ver com o medo? Em várias situações da vida, o medo surge como o açúcar: disfarçado de outra coisa. O livro Um Curso em Milagres diz que “eu nunca estou chateado pelo motivo que eu penso”. Às vezes, você está chateado porque o chefe deu uma bronca, o namorado não respondeu a sua mensagem, a amiga não convidou para uma festa. Você acredita que está frustrado, ou decepcionado, ou humilhado, ou envergonhado, ou sentindo qualquer outra emoção. E provavelmente acredita que foi a outra pessoa que causou isso. Na verdade, assim como os açúcares ocultos, era o medo que estava por trás dessas situações, disfarçado. O monge Thich Nhat Hanh diz que quando achamos que outra pessoa causou uma emoção em nós (irritação, ódio, frustração, decepção), na verdade esse sentimento já estava aí dentro como se fosse uma semente. O outro apenas regou a semente, que cresceu. E ela ter crescido é bom! Pode parecer doido dizer isso, mas pense comigo: você já carregava essa emoção reprimida. Agora alguém surgiu para lhe dar a oportunidade de cura e ajudá-lo a se desenvolver. Comece a prestar atenção nas emoções que surgem ao longo do dia. Lembre-se que você nunca está chateado pelo motivo que pensa. Faça o exercício. “Meu namorado me magoou.” Não, é você que está com medo. Pode ser de ficar sozinha, de não ser boa o bastante, de que nunca ninguém vai amá-la. E olha que lindo... isso não foi causado pelo namorado. A escritora americana Byron Katie diz que a defesa é o primeiro ato de guerra: se você reagir, começa o sofrimento. Você se desviou para o caminho do medo. Mas, se você se sentir aberto a tentar um novo caminho diferente da guerra, permita-se sentir que essa emoção é sua. Não resista a ela, nem a rejeite. Ao mesmo tempo, não se identifique com ela, nem se apegue ao sentimento. Apenas sinta, perceba onde ela se manifesta no seu corpo, coloque sua atenção nela, e observe como ela vai se dissipando enquanto você respira. E escolha o caminho do amor.

PAULA ABREU é coach e autora do livro Escolha Sua Vida (Sextante). Seu site é escolhasuavida.com.br

13/02/2017 - 10:27

Conecte-se

Revista Vida Simples