Onde está o seu lençol?

Precisamos resgatar a criança que fomos e voltar a acreditar que é possível ser o herói da própria jornada

Paula Abreu

Onde está o seu lençol? | <i>Crédito: Vida Simples Digital
Onde está o seu lençol? | Crédito: Vida Simples Digital

Quando uma criança escuta um conto de fadas, vê um desenho animado, assiste a um filme no cinema ou lê um livro, ela enxerga ali expressões metafóricas de seus desafios cotidianos. Ela adora os heróis corajosos, sortudos ou habilidosos, e se identifica imediatamente com eles. Tente perguntar para uma criança qual personagem ela gostaria de ser na história que acabou de ouvir, e a resposta quase sempre será: o protagonista. A criança não quer ser o amigo do herói, a irmã do herói, o ratinho de estimação do herói. A criança sempre se vê como o herói. Certa vez, o americano Harvey Cox, um teólogo da prestigiada Universidade de Harvard (EUA), estava falando para uma plateia de cerca de 600 pessoas, todas elas cristãs. Ele lhes contou uma história bíblica na qual Jesus era abordado por um homem extremamente rico cuja filha estava bem doente. A caminho da casa desse homem, porém, Jesus foi abordado por uma pobre mulher que toca no seu manto para, dessa maneira, se curar de uma hemorragia. Em vez de se zangar, Jesus a socorre. Quando chega finalmente na casa do homem rico, a filha já estava morta. Mas Jesus ordena que ela acorde. E ela obedece e volta a viver. No meio da palestra, Cox pediu, então, que as pessoas ali presentes que se identificassem com os personagens da história se levantassem. A maioria se identificou com a pobre mulher que teve a hemorragia estancada, ou o pai que saiu em busca de uma cura para a filha, ou a menina morta. Em uma plateia de 600 cristãos — para quem Jesus é um grande herói que deve ser imitado o máximo possível —, apenas seis pessoas afirmaram se identificar com Jesus. Ou seja, um por cento. Em algum momento, entre a infância dos nossos super-heróis e a vida adulta, aquela vontade de amarrar um lençol no pescoço e sair voando de cima do sofá se transforma em um desejo de que o outro, em vez da gente, seja o herói. Porque é mais fácil adorar os heróis do que imitá-los, como escreveu o psicoterapeuta e escritor Scott Peck. E se, apenas por esta semana, você escolhesse ser o protagonista da sua história? Se encarasse os seus problemas como desafios, como oportunidades de usar a sua criatividade, de aprender novas coisas, desenvolver novas habilidades? Se você mudasse a sua forma de ver a si mesmo e começasse a perceber que esta semana é apenas uma semana dentro de uma jornada muito maior? Quem serão os vilões da sua história nesta semana? E os seus aliados? Os velhos sábios que você vai encontrar no meio da floresta e que vão lhe dar exatamente a informação de que você precisava? Como seria a sua semana se você se permitisse voltar a ser criança, amarrar o lençol no pescoço e saltar? Se dê essa oportunidade. O mundo precisa dos heróis, e precisa muito. 

PAULA ABREU é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no acreditaemedita.com.br

21/11/2017 - 11:49

Conecte-se

Revista Vida Simples