Que todos os seres...

Ao vivenciarmos experiências de abertura, podemos dedicá-las e oferecê-las como se todo mundo estivesse ali conosco

Gustavo Gitti

- | <i>Crédito: Vida Simples Digital
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Que todos os seres possam ter uma experiência parecida com cantar no tom, sem saber se a vibração vem de dentro ou de fora. Que todos os seres recebam as dificuldades com o mesmo frescor que sentimos ao abrir uma janela gigante. Que todos os seres possam boiar, mas em qualquer situação, sem precisar de mar, piscina, água, essas coisas. Que todos os seres possam se relacionar a partir da mente que surge quando fazemos um brinde. Que todos os seres não passem pela experiência de morrer por distração de seres de tamanho maior, como acontece com formigas entre humanos. Que todos os seres não construam e não caiam em infernos burocráticos e asfixiantes como os descritos no filme Eu, Daniel Blake (do diretor Ken Loach). Que todos os seres possam acessar a capacidade extraordinária de gerar compaixão por aqueles que causaram muita dor e sofrimento. Que todos os seres possam se espantar com essa experiência maluca de não perceber que nasceram, respirar por um tempo em um corpo estranho (na maioria das vezes também sem perceber) e não perceber que morreram. Que todos os seres possam ter uma clareza parecida com a de uma pessoa que pensa em se matar mas não o faz por causa de uma quase inexistente confiança de que amanhã talvez as coisas mudem. Que todos os seres possam participar de uma sambada num domingo no Ins tituto Brincante, de Antônio Nóbrega e Roseane Almeida, em São Paulo. Que todos os seres algum dia dancem ao som das mulheres ritmistas do Ilú Obá de Min. Que todos os seres possam se deitar sentindo cada parte do corpo viva e relaxada, sem nenhum barulho ao redor, após uma aula de Iyengar Yoga. Que todos os seres possam descobrir e aprender com mestres e mestras sublimes, que manifestam desimpedidamente o nosso potencial. Que todos os seres possam se sentir acolhidos, admirados, dignificados, bem fofocados, com etiqueta na almofada, lugar na mesa, com mais de um nome, com título, eventualmente até com trono e uma multidão esperando feliz por sua chegada. Que cada ser não se sinta sozinho, sem reconhecer as pessoas que gostariam de ajudá-lo. Que todos os seres não sejam tão facilmente enganados. Que todos os seres possam vivenciar na mente – adoecida por ansiedade, torpor, raiva, ciúme… – a mesma saúde que o corpo sente após se recuperar 100% de uma forte e longa gripe. Que todos os seres não se limitem a buscar experiências transitórias e estados alterados de prazer, que reconheçam nossa condição incessante e natural. Que todos os seres possam sentir a alegria que vem de fazer aspirações e dedicações envolvendo absolutamente todos os seres, sem deixar nada e ninguém de fora.

GUSTAVO GITTI é coordenador de uma comunidade online de transformação. Seu site é gustavogitti.com 

22/05/2017 - 10:52

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Revista Vida Simples