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É possível ter no trabalho uma relação mais aberta e horizontal, na qual as pessoas tenham voz e sejam valorizadas por isso

Lucas Tauil de Freitas

É possível ter no trabalho uma relação mais aberta e horizontal, na qual as pessoas tenham voz e sejam valorizadas por isso | <i>Crédito: Divulgação
É possível ter no trabalho uma relação mais aberta e horizontal, na qual as pessoas tenham voz e sejam valorizadas por isso | Crédito: Divulgação

No fim do ano, Sandra, minha companheira, e eu encerramos a turnê de oficinas dos fundadores do Loomio, Richard Bartlett e Natália Lombardo, no Brasil. O Loomio nasceu na Nova Zelândia e é, na prática, um software de código aberto, ou seja, algo que todos podem usar em pequena escala. Ele é usado para deliberar e tomar decisões entre as pessoas. Isso pode ser feito por grupos de três a 300 integrantes, que o utilizam para se organizarem. Com o Loomio, cooperativas escrevem, por exemplo, suas constituições, empresas decidem orçamentos anuais e ativistas coordenam projetos comunitários. Tudo isso sem a necessidade de uma sede física ou que as pessoas estejam na mesma cidade. O Loomio é minha iniciativa favorita na Enspiral, uma rede global autogerida de empreendedores, empresas e times horizontais, da qual participo com Sandra há dois anos. Apoiamos uns aos outros para realizar trabalhos significativos: novos modelos de educação, empreendimentos conscientes etc. Nessas redes, os valores priorizam o bem comum antes do benefício próprio. Investigamos organizações que encorajam relações de respeito e igualdade em vez de hierarquia, comando e controle. Esse software foi construído por uma cooperativa pertencente aos trabalhadores na Nova Zelândia. Em nossa experiência no Loomio e na Enspiral, trabalhamos com milhares de grupos que experimentam organizações de forma descentralizada. Nessa jornada, percebemos que cada grupo enfrenta desafios semelhantes e que compartilhar esses padrões (ou aprendizados) os ajuda a inovar mais rápido. Para dar um gostinho, compartilho aqui um dos oito padrões mais comuns. O primeiro deles é criar intencionalmente uma cultura participativa. Muitos grupos querem distribuir liderança e abolir a hierarquia, mas têm hábitos arraigados. É comum os mais experientes dizerem aos mais novos o que fazer, ou mesmo calouros buscando respostas nos outros. Estamos condicionados a isso. Como produzir uma nova cultura? Fermentação! Para fazer pão é preciso misturar o fermento a ingredientes frescos e deixar agir em local escuro. Para fermentar uma nova cultura, a sua massa fermentada é uma pessoa ou um time que personifica algumas das qualidades que se quer desenvolver. Os ingredientes frescos são pessoas novas com desejo de crescimento com um foco específico. Combinamos os dois em um retiro: seguro, quieto, isolado por alguns dias. Quem quiser saber mais sobre os outros padrões fique à vontade em me escrever: lucas@ enspiral.com. O importante é as pessoas perceberem que não precisamos trabalhar com tantas amarras. Um ambiente menos hierárquico e mais participativo é possível para todos.

-> Lucas Tauil de Freitas adaptou esta coluna do livreto 8 Padrões para Organizações Descentralizadas.
 

21/02/2018 - 11:58

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Revista Vida Simples