Se não for agora, quando?

Para que o novo venha, o que não serve mais precisa ir embora. E essa mudança pode começar já

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A ALTERNAÇÃO ENTRE dia e noite, luz e sombra sempre teve um profundo significado para os povos antigos. Ela manifesta a dualidade fundamental que se expressa de tantas outras maneiras na natureza e na nossa vida. Desde o nível atômico, tudo no universo está sujeito a ritmos e ciclos, como as estações do ano e as marés. Nas plantas, temos o embrião, as folhas, o botão, a flor e o fruto. E nós também estamos sujeitos a esse ciclo, que a autora Clarissa Pinkola Estés chama de “vida-morte-vida”. Temos os batimentos cardíacos, a respiração (inspira, expira), o dormir e o acordar. A cada sete anos, todas as células do corpo são substituídas e, do ponto de vista puramente físico, somos uma pessoa totalmente nova. Os povos antigos compreendiam bem a importância desse ciclo, mas, em geral, o homem moderno se desconectou desse conhecimento tão simples, instintivo, antigo e importante sobre si mesmo e a natureza de todas as coisas. A morte, por exemplo, começou a ser temida. Não só a morte física mas a morte como o fim necessário de um ciclo que se encerrou. Porque as pessoas se esqueceram que, para que um novo ciclo possa começar, é essencial que outro se encerre. Isso se manifesta na nossa vida de maneira concreta (você só pode ter uma nova geladeira quando se livrar da velha que está quebrada) e de formas mais sutis: para encontrar um novo amor, é preciso aceitar o fim do seu atual relacionamento. Para começar um novo trabalho, tem que aceitar o fim do atual emprego ou mesmo da carreira. Para ser uma nova pessoa, você precisa se permitir morrer na forma que é hoje. Como eu disse, a cada sete anos, fisicamente, somos uma pessoa totalmente nova. Mas, do ponto de vista psíquico, muitas vezes nada se alterou. O nosso corpo emocional está cheio de padrões e bloqueios que são os mesmos de sete anos atrás. Temos os mesmos problemas, preocupações, insatisfações, mágoas, medos. Para virar a Paula escritora e coach, eu precisei dar adeus à Paula advogada e tudo o que isso significava na minha vida: o respeito das pessoas, o status, o sucesso, o comodismo, o dinheiro, os luxos e supérfluos. Era uma morte necessária, para que uma nova pessoa pudesse nascer. Clarissa sugere algumas perguntas: “Ao que preciso dar mais morte hoje, para gerar mais vida? O que eu sei que precisa morrer, mas hesito em permitir que isso ocorra? O que deveria morrer hoje? O que deveria viver? Qual vida tenho medo de dar à luz? Se não for agora, quando?”. Resgate o contato com os ciclos da vida, tanto na natureza quanto em você mesmo. Entenda que a morte, em todas as suas formas, é bonita, importante e necessária. Dê um passo em direção ao seu desenvolvimento. O que você mais teme pode ser a cura que está faltando na sua vida. 

PAULA ABREU é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no acreditaemedita.com.br

28/09/2017 - 17:50

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